Quando apontamos um objeto, retomamos uma ideia ou falamos de uma época distante, usamos pronomes demonstrativos. Eles aparecem em perguntas simples, conversas, mensagens e textos formais: Quanto custa esta camisa?, Você gostou disso?, Naquela época, eu morava em Lima.
Nesta aula, você vai aprender todas as formas principais, a regra recomendada para a escrita e o jeito como os brasileiros realmente falam.
O que são pronomes demonstrativos?
São palavras que situam pessoas, objetos, momentos ou ideias em relação a quem fala, a quem ouve e ao assunto da conversa. Eles podem apontar para três tipos de relação:
- Espaço: este celular aqui, essa mochila aí, aquela loja lá.
- Tempo: esta semana, esse dia que passou, aquela época.
- Texto ou conversa: isto que vou explicar; isso que você disse.
Ouça a explicação:
Os pronomes demonstrativos apontam pessoas, objetos, lugares, momentos ou ideias. Eles mostram se algo está perto de quem fala, perto de quem ouve ou longe dos dois. Também ajudam a organizar informações no tempo e no texto.
Quadro completo dos demonstrativos
As formas centrais dos pronomes demonstrativos.
Formas variáveis
Este, esse e aquele, com suas formas femininas e plurais, acompanham ou substituem um nome. Por isso, concordam em gênero e número:
- este documento e estes documentos;
- essa cadeira e essas cadeiras;
- aquela rua e aquelas ruas.
Eles podem acompanhar o substantivo, como em esta bolsa é nova, ou substituí-lo, como em esta é nova.
Formas invariáveis
Isto, isso e aquilo não mudam de gênero nem de número. Usamos essas formas quando não nomeamos o objeto ou quando apontamos para uma situação ou ideia inteira:
- O que é isto?
- Não entendi isso.
- Aquilo foi inesquecível.
Atenção: não diga isto livro ou isso problema. Antes de um nome, use a forma variável: este livro, esse problema.
Uso no espaço: aqui, aí e lá
A posição do objeto ajuda a escolher o demonstrativo.
- Este, esta, estes, estas e isto: perto de quem fala. Esta caneta aqui é minha.
- Esse, essa, esses, essas e isso: perto de quem ouve. Essa caneta aí é sua?
- Aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo: longe dos dois. Aquela placa lá está quebrada.
Leia e depois ouça:
Este celular aqui é meu. Essa chave aí é sua. Aquela bicicleta lá pertence à minha vizinha. Na escrita formal, as três distâncias aparecem com clareza.
Forma culta e fala brasileira comum
Na fala, esse frequentemente ocupa também o lugar de este.
Em um texto formal, uma prova ou uma comunicação que exige precisão, é recomendável conservar o sistema de três distâncias:
- este documento aqui comigo;
- esse documento aí com você;
- aquele documento lá no balcão.
Na fala cotidiana do Brasil, a diferença entre este e esse costuma diminuir. Um brasileiro pode segurar um celular e dizer naturalmente: Esse celular aqui é novo. As palavras aqui, aí e lá, o gesto e a situação esclarecem a distância.
Isso não significa que este desapareceu. Ele continua presente, especialmente na escrita, em apresentações, em explicações cuidadosas e em expressões como esta semana, neste momento e desta vez.
Dica de ouro: aprenda a distinção formal para escrever com precisão, mas reconheça esse aqui como uma construção natural da fala brasileira.
Ouça como falamos:
Numa conversa no Brasil, é muito comum ouvir: esse celular aqui é meu. A palavra esse pode aparecer até para algo perto de quem fala. Nesse caso, aqui, aí e lá ajudam a deixar a distância clara.
Uso no tempo
Os demonstrativos também aproximam ou afastam um período:
- Este: tempo atual ou muito próximo. Esta semana tenho duas provas. Neste momento, não posso falar.
- Esse: tempo mencionado ou relativamente próximo. Você viajou em maio? Nesse mês, eu estava de férias.
- Aquele: tempo distante. Naquela época, não existiam aplicativos de mensagem.
Na conversa, as fronteiras podem variar. Esse fim de semana é muito comum, inclusive para o próximo fim de semana. Se houver risco de dúvida, diga neste próximo fim de semana, no fim de semana passado ou mencione a data.
Uso no texto e na conversa
Na escrita formal, uma orientação útil é:
- Isto, este e esta podem anunciar o que será dito: Meu objetivo é este: falar português com confiança.
- Isso, esse e essa normalmente retomam algo já dito: Você precisa praticar todos os dias. Isso faz diferença.
- Aquilo, aquele e aquela retomam algo mais distante na conversa, no texto ou na memória: Aquilo que aconteceu em 2010 mudou a cidade.
Na fala espontânea, isso é muito produtivo: Isso mesmo, Que isso?, É isso aí, Por isso, Além disso. O contexto indica se a pessoa aponta para um objeto, uma frase ou uma situação.
Os demonstrativos vão muito além da distância física.
Leia e depois ouça:
Esta semana está corrida. Naquela época, eu morava no interior. Preciso dizer isto: a reunião foi cancelada. A reunião foi cancelada, e isso mudou os nossos planos.
Contrações importantes
As preposições em e de se unem aos demonstrativos:
- em: neste, nesta, nestes, nestas; nesse, nessa, nesses, nessas; naquele, naquela, naqueles, naquelas; nisto, nisso, naquilo.
- de: deste, desta, destes, destas; desse, dessa, desses, dessas; daquele, daquela, daqueles, daquelas; disto, disso, daquilo.
A preposição a se combina com aquele, aquela e aquilo, com acento grave: àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo.
- Fui àquele restaurante que você indicou.
- Entreguei a chave àquela funcionária.
- Não me refiro a isto; refiro-me àquilo que aconteceu ontem.
Pratique as contrações:
Neste mês, comecei um curso. Gosto desse professor. Naquele prédio, há uma biblioteca. Preciso daquele documento. Entreguei o formulário àquela atendente.
Comparação com o espanhol
O espanhol também apresenta três séries: este, ese, aquel. Isso ajuda, mas há diferenças no uso real. No português brasileiro falado, esse frequentemente substitui este. Além disso, as formas neutras não são idênticas:
- isto corresponde geralmente a esto;
- isso corresponde geralmente a eso;
- aquilo corresponde geralmente a aquello.
Evite misturar as línguas: em português, escrevemos isso, com dois esses, e aquilo, sem e depois do qu.
Expressões que você ouvirá no Brasil
- É isso! Pode indicar conclusão ou concordância.
- Isso mesmo. Confirma que algo está correto.
- Que isso! Pode demonstrar surpresa ou responder a um agradecimento com modéstia.
- É isso aí. Reforça uma confirmação ou incentiva alguém.
- Por isso. Apresenta uma consequência ou explicação.
- Além disso. Acrescenta uma informação.
- Dessa vez. Refere-se à ocasião atual ou mencionada.
Diálogo real: procurando uma mochila
Diego: Bianca, você viu minha mochila?
Bianca: É essa aí, perto da cadeira?
Diego: Não. Aquela lá é do Felipe. A minha é esta aqui.
Bianca: Ah, entendi. Então, pega essa mochila aqui e vamos.
Observe que Bianca diz essa mochila aqui. É um exemplo natural da fala brasileira. Já Diego usa esta aqui, seguindo a distinção tradicional. As duas formas podem aparecer numa conversa real.
Outras palavras com valor demonstrativo
Em determinados contextos, palavras como mesmo, próprio, semelhante e tal também podem ter valor demonstrativo: Eu mesmo preparei o jantar, A própria diretora respondeu, Não repita semelhante atitude, Nunca ouvi tal história. Essas formas têm usos próprios e não substituem automaticamente este, esse ou aquele.
Resumo para guardar
- Este aponta para perto de quem fala; esse, para perto de quem ouve; aquele, para longe dos dois.
- Isto, isso e aquilo são invariáveis e não acompanham substantivos.
- Na fala brasileira, esse frequentemente substitui este.
- Aqui, aí e lá ajudam a esclarecer a distância.
- No texto formal, isto pode anunciar e isso costuma retomar uma informação.
- Aprenda também as contrações: neste, nesse, naquele; deste, desse, daquele; àquele, àquela, àquilo.
Agora faça o exercício. Observe se a frase fala de espaço, tempo, texto ou linguagem cotidiana.
Quadro de decisão: este, esse ou aquele?
Na escrita mais cuidadosa, a escolha acompanha a posição do referente. Na fala brasileira, esse também pode aparecer perto de quem fala, sobretudo com aqui.
| Relação | Formas variáveis | Forma invariável | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Perto de quem fala | este, esta, estes, estas | isto | Esta caneta aqui é minha. O que é isto? |
| Perto de quem ouve ou assunto já mencionado | esse, essa, esses, essas | isso | Essa caneta aí é sua? Isso faz diferença. |
| Longe dos dois ou distante na memória | aquele, aquela, aqueles, aquelas | aquilo | Aquela loja lá fechou. Aquilo foi inesquecível. |
Antes de um substantivo, use uma forma variável: este livro, essa mochila, aquela rua. Isto, isso e aquilo apontam para uma coisa, situação ou ideia sem nomeá-la diretamente.