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Pronomes demonstrativos: este, esse e aquele

William Lawson: Português para estrangeiros 7 min de leitura

Quando apontamos um objeto, retomamos uma ideia ou falamos de uma época distante, usamos pronomes demonstrativos. Eles aparecem em perguntas simples, conversas, mensagens e textos formais: Quanto custa esta camisa?, Você gostou disso?, Naquela época, eu morava em Lima.

Nesta aula, você vai aprender todas as formas principais, a regra recomendada para a escrita e o jeito como os brasileiros realmente falam.

O que são pronomes demonstrativos?

São palavras que situam pessoas, objetos, momentos ou ideias em relação a quem fala, a quem ouve e ao assunto da conversa. Eles podem apontar para três tipos de relação:

  • Espaço: este celular aqui, essa mochila aí, aquela loja lá.
  • Tempo: esta semana, esse dia que passou, aquela época.
  • Texto ou conversa: isto que vou explicar; isso que você disse.

Ouça a explicação:

Os pronomes demonstrativos apontam pessoas, objetos, lugares, momentos ou ideias. Eles mostram se algo está perto de quem fala, perto de quem ouve ou longe dos dois. Também ajudam a organizar informações no tempo e no texto.

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Quadro completo dos demonstrativos

Quadro completo com este, esse, aquele e as formas variáveis e invariáveisAs formas centrais dos pronomes demonstrativos.

Formas variáveis

Este, esse e aquele, com suas formas femininas e plurais, acompanham ou substituem um nome. Por isso, concordam em gênero e número:

  • este documento e estes documentos;
  • essa cadeira e essas cadeiras;
  • aquela rua e aquelas ruas.

Eles podem acompanhar o substantivo, como em esta bolsa é nova, ou substituí-lo, como em esta é nova.

Formas invariáveis

Isto, isso e aquilo não mudam de gênero nem de número. Usamos essas formas quando não nomeamos o objeto ou quando apontamos para uma situação ou ideia inteira:

  • O que é isto?
  • Não entendi isso.
  • Aquilo foi inesquecível.

Atenção: não diga isto livro ou isso problema. Antes de um nome, use a forma variável: este livro, esse problema.

Uso no espaço: aqui, aí e lá

Distância espacial de este, esse e aquele com aqui, aí e láA posição do objeto ajuda a escolher o demonstrativo.
  • Este, esta, estes, estas e isto: perto de quem fala. Esta caneta aqui é minha.
  • Esse, essa, esses, essas e isso: perto de quem ouve. Essa caneta aí é sua?
  • Aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo: longe dos dois. Aquela placa lá está quebrada.

Leia e depois ouça:

Este celular aqui é meu. Essa chave aí é sua. Aquela bicicleta lá pertence à minha vizinha. Na escrita formal, as três distâncias aparecem com clareza.

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Forma culta e fala brasileira comum

Comparação entre a escrita formal e a fala brasileira comumNa fala, esse frequentemente ocupa também o lugar de este.

Em um texto formal, uma prova ou uma comunicação que exige precisão, é recomendável conservar o sistema de três distâncias:

  • este documento aqui comigo;
  • esse documento aí com você;
  • aquele documento lá no balcão.

Na fala cotidiana do Brasil, a diferença entre este e esse costuma diminuir. Um brasileiro pode segurar um celular e dizer naturalmente: Esse celular aqui é novo. As palavras aqui, aí e lá, o gesto e a situação esclarecem a distância.

Isso não significa que este desapareceu. Ele continua presente, especialmente na escrita, em apresentações, em explicações cuidadosas e em expressões como esta semana, neste momento e desta vez.

Dica de ouro: aprenda a distinção formal para escrever com precisão, mas reconheça esse aqui como uma construção natural da fala brasileira.

Ouça como falamos:

Numa conversa no Brasil, é muito comum ouvir: esse celular aqui é meu. A palavra esse pode aparecer até para algo perto de quem fala. Nesse caso, aqui, aí e lá ajudam a deixar a distância clara.

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Uso no tempo

Os demonstrativos também aproximam ou afastam um período:

  • Este: tempo atual ou muito próximo. Esta semana tenho duas provas. Neste momento, não posso falar.
  • Esse: tempo mencionado ou relativamente próximo. Você viajou em maio? Nesse mês, eu estava de férias.
  • Aquele: tempo distante. Naquela época, não existiam aplicativos de mensagem.

Na conversa, as fronteiras podem variar. Esse fim de semana é muito comum, inclusive para o próximo fim de semana. Se houver risco de dúvida, diga neste próximo fim de semana, no fim de semana passado ou mencione a data.

Uso no texto e na conversa

Na escrita formal, uma orientação útil é:

  • Isto, este e esta podem anunciar o que será dito: Meu objetivo é este: falar português com confiança.
  • Isso, esse e essa normalmente retomam algo já dito: Você precisa praticar todos os dias. Isso faz diferença.
  • Aquilo, aquele e aquela retomam algo mais distante na conversa, no texto ou na memória: Aquilo que aconteceu em 2010 mudou a cidade.

Na fala espontânea, isso é muito produtivo: Isso mesmo, Que isso?, É isso aí, Por isso, Além disso. O contexto indica se a pessoa aponta para um objeto, uma frase ou uma situação.

Resumo dos demonstrativos no tempo, no texto e nas contraçõesOs demonstrativos vão muito além da distância física.

Leia e depois ouça:

Esta semana está corrida. Naquela época, eu morava no interior. Preciso dizer isto: a reunião foi cancelada. A reunião foi cancelada, e isso mudou os nossos planos.

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Contrações importantes

As preposições em e de se unem aos demonstrativos:

  • em: neste, nesta, nestes, nestas; nesse, nessa, nesses, nessas; naquele, naquela, naqueles, naquelas; nisto, nisso, naquilo.
  • de: deste, desta, destes, destas; desse, dessa, desses, dessas; daquele, daquela, daqueles, daquelas; disto, disso, daquilo.

A preposição a se combina com aquele, aquela e aquilo, com acento grave: àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo.

  • Fui àquele restaurante que você indicou.
  • Entreguei a chave àquela funcionária.
  • Não me refiro a isto; refiro-me àquilo que aconteceu ontem.

Pratique as contrações:

Neste mês, comecei um curso. Gosto desse professor. Naquele prédio, há uma biblioteca. Preciso daquele documento. Entreguei o formulário àquela atendente.

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Comparação com o espanhol

O espanhol também apresenta três séries: este, ese, aquel. Isso ajuda, mas há diferenças no uso real. No português brasileiro falado, esse frequentemente substitui este. Além disso, as formas neutras não são idênticas:

  • isto corresponde geralmente a esto;
  • isso corresponde geralmente a eso;
  • aquilo corresponde geralmente a aquello.

Evite misturar as línguas: em português, escrevemos isso, com dois esses, e aquilo, sem e depois do qu.

Expressões que você ouvirá no Brasil

  • É isso! Pode indicar conclusão ou concordância.
  • Isso mesmo. Confirma que algo está correto.
  • Que isso! Pode demonstrar surpresa ou responder a um agradecimento com modéstia.
  • É isso aí. Reforça uma confirmação ou incentiva alguém.
  • Por isso. Apresenta uma consequência ou explicação.
  • Além disso. Acrescenta uma informação.
  • Dessa vez. Refere-se à ocasião atual ou mencionada.

Diálogo real: procurando uma mochila

Diego: Bianca, você viu minha mochila?

Bianca: É essa aí, perto da cadeira?

Diego: Não. Aquela lá é do Felipe. A minha é esta aqui.

Bianca: Ah, entendi. Então, pega essa mochila aqui e vamos.

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Observe que Bianca diz essa mochila aqui. É um exemplo natural da fala brasileira. Já Diego usa esta aqui, seguindo a distinção tradicional. As duas formas podem aparecer numa conversa real.

Outras palavras com valor demonstrativo

Em determinados contextos, palavras como mesmo, próprio, semelhante e tal também podem ter valor demonstrativo: Eu mesmo preparei o jantar, A própria diretora respondeu, Não repita semelhante atitude, Nunca ouvi tal história. Essas formas têm usos próprios e não substituem automaticamente este, esse ou aquele.

Resumo para guardar

  • Este aponta para perto de quem fala; esse, para perto de quem ouve; aquele, para longe dos dois.
  • Isto, isso e aquilo são invariáveis e não acompanham substantivos.
  • Na fala brasileira, esse frequentemente substitui este.
  • Aqui, aí e lá ajudam a esclarecer a distância.
  • No texto formal, isto pode anunciar e isso costuma retomar uma informação.
  • Aprenda também as contrações: neste, nesse, naquele; deste, desse, daquele; àquele, àquela, àquilo.

Agora faça o exercício. Observe se a frase fala de espaço, tempo, texto ou linguagem cotidiana.

Quadro de decisão: este, esse ou aquele?

Na escrita mais cuidadosa, a escolha acompanha a posição do referente. Na fala brasileira, esse também pode aparecer perto de quem fala, sobretudo com aqui.

RelaçãoFormas variáveisForma invariávelExemplo
Perto de quem falaeste, esta, estes, estasistoEsta caneta aqui é minha. O que é isto?
Perto de quem ouve ou assunto já mencionadoesse, essa, esses, essasissoEssa caneta aí é sua? Isso faz diferença.
Longe dos dois ou distante na memóriaaquele, aquela, aqueles, aquelasaquiloAquela loja lá fechou. Aquilo foi inesquecível.
Atenção

Antes de um substantivo, use uma forma variável: este livro, essa mochila, aquela rua. Isto, isso e aquilo apontam para uma coisa, situação ou ideia sem nomeá-la diretamente.

Agora teste seus conhecimentos

10 perguntas sobre este tema.

1. Na escrita formal, complete: ___ caneta aqui comigo é azul.

2. Qual forma indica algo longe de quem fala e de quem ouve?

3. Qual frase usa corretamente uma forma invariável?

4. Complete: Você falou sobre uma mudança. ___ me deixou preocupado.

5. Qual frase destaca um período distante?

6. Qual afirmação descreve a fala brasileira comum?

7. Qual é a contração de “em + aquela”?

8. Qual frase está correta?

9. Na escrita formal, qual forma pode anunciar o que será dito em seguida?

10. Qual alternativa tem somente formas invariáveis?