Uma palavra pequena que muda a mensagem
O artigo acompanha um substantivo. Ele ajuda a mostrar se falamos de algo conhecido e específico ou de algo apresentado de maneira indefinida.
Preciso de um livro. Pode ser qualquer livro adequado.
Preciso do livro que está na mesa. Agora existe um livro específico.
O artigo acompanha um substantivo e ajuda a mostrar como queremos apresentá-lo. Podemos falar de algo específico e conhecido, ou de algo ainda não identificado. Compare: preciso de um livro. Preciso do livro que está na mesa.
Em espanhol, artigo é artículo. As duas línguas têm formas parecidas, mas nem sempre colocam o artigo nos mesmos lugares.
Quais são os artigos?
Artigos definidos
O, a, os, as indicam uma referência definida, identificável ou tratada como conhecida.
o livro: el libro
a casa: la casa
os livros: los libros
as casas: las casas
Artigos indefinidos
Um, uma, uns, umas apresentam uma referência não identificada, nova ou pertencente a um grupo.
um livro: un libro
uma casa: una casa
uns livros: unos libros
umas casas: unas casas
O espanhol também possui o artigo neutro lo. O português não tem um artigo neutro equivalente. Dependendo da frase, usamos o importante, aquilo que é importante ou outra construção.
O artigo concorda com o substantivo
O artigo varia em gênero, masculino ou feminino, e em número, singular ou plural.
o caderno azul
a caneta azul
os cadernos azuis
as canetas azuis
Comprei um caderno azul e uma caneta preta. Os cadernos estão na mochila, mas as canetas ficaram sobre a mesa. O artigo combina com o substantivo em gênero e número.
Dica de ouro
A terminação ajuda, mas não decide tudo. Dizemos o problema, o mapa, o dia e a mão, a foto, a moto. Aprenda cada substantivo junto com o artigo.
Quando usamos o artigo indefinido?
Primeira menção
Usamos um, uma, uns, umas quando apresentamos algo pela primeira vez e a pessoa ainda não sabe exatamente qual é.
Vi um cachorro na rua. O cachorro estava com sede.
Na primeira frase, o cachorro é uma informação nova. Na segunda, já sabemos de qual cachorro estamos falando.
Um elemento qualquer
Preciso de uma caneta. Não importa qual, desde que funcione. Ela quer comprar um apartamento. O apartamento ainda não foi escolhido.
Aproximação
Na fala, o plural pode indicar quantidade aproximada: Esperei uns vinte minutos. Vieram umas trinta pessoas.
Artigo ou número?
Em Comprei um caderno, apresentamos um caderno ainda não identificado. Em Comprei um caderno, não dois, a quantidade está destacada. O contexto mostra a função.
Ontem, vi um cachorro na rua. O cachorro parecia cansado e estava com sede. Levei o animal até uma clínica. A veterinária examinou o cachorro e encontrou o dono.
Quando usamos o artigo definido?
Algo mencionado anteriormente
Uma cliente entrou na loja. A cliente procurava uma mochila.
Algo identificado pelo contexto
Feche a porta, por favor. As pessoas sabem qual porta deve ser fechada. Onde está o banheiro? Perguntamos pelo banheiro disponível naquele lugar.
Algo único na situação
O sol apareceu. A internet caiu. O gerente chegou.
Uma categoria em sentido geral
O cachorro é um animal sociável. Aqui, o cachorro representa a espécie. Também podemos dizer Cachorros precisam de cuidado. As duas generalizações são possíveis.
Dias da semana
A aula é na terça-feira. É uma terça específica. Tenho aula às terças-feiras. É um hábito. Na fala, também dizemos na terça e às terças.
Quando normalmente não usamos artigo?
Profissão, religião ou função depois de ser
Quando apenas classificamos a pessoa, normalmente não usamos artigo: Sou professora. Daniel é engenheiro. Minha irmã é católica.
O artigo aparece com uma identificação ou caracterização: Ela é a médica que me atendeu. Rafael é um excelente professor.
Idiomas
Falo português. Estudo espanhol. Ela aprende inglês.
Usamos artigo quando especificamos o idioma: O português do Brasil tem muitas variedades.
Ideias gerais ou não contáveis
Preciso de ajuda. Compro pão todos os dias. Ela toma café sem açúcar. Temos tempo.
Se a referência for específica, o artigo volta: Preciso da ajuda do professor. O café da garrafa está frio.
Meu nome é Elisa. Sou engenheira, falo português e espanhol e moro em Lima. De manhã, tomo café sem açúcar. No trabalho, preciso de concentração e tenho reuniões com clientes.
Artigo antes de nomes próprios
No Brasil, é comum ouvir A Mariana chegou e O Pedro ligou. Também é natural dizer Mariana chegou e Pedro ligou.
O uso varia conforme a região, a família, a proximidade e o estilo. Em algumas regiões, o artigo é muito frequente; em outras, a ausência é mais comum.
Português real
Não trate uma das formas como a única correta. Aprenda a reconhecer a Camila e Camila e observe o uso da região em que você vive.
Artigos com países e cidades
Alguns países costumam receber artigo: o Brasil, o Peru, o Canadá, os Estados Unidos, a Argentina, a Colômbia, a França.
Outros normalmente aparecem sem artigo: Portugal, Cuba, Israel, Moçambique.
Por isso dizemos moro no Brasil, viajo para o Peru e vivo em Portugal.
Com cidades, a ausência é frequente: moro em Lima, cheguei a São Paulo, viajei para Brasília. Alguns nomes recebem artigo: o Rio de Janeiro, o Recife, a Bahia.
Não copie automaticamente o espanhol. Em espanhol, é comum usar Brasil e Perú sem artigo. Em português, geralmente dizemos o Brasil e o Peru.
Artigo e possessivo
No português brasileiro, o artigo antes do possessivo costuma ser facultativo: Meu irmão mora em Cusco e O meu irmão mora em Cusco.
As duas frases são possíveis. Sem artigo, a construção é muito natural no Brasil. Em português europeu, o artigo é mais frequente.
Quando o possessivo substitui o substantivo: Seu celular é novo. O meu é antigo.
Em espanhol, normalmente dizemos mi hermano, sem combinar el com mi.
A Júlia mora no Brasil, mas nasceu no Peru. O irmão dela vive em Portugal. Na fala de Júlia, é natural dizer meu irmão ou o meu irmão. As duas formas aparecem no português brasileiro.
Artigos e contrações
No português, artigos se juntam frequentemente a preposições.
Com artigos definidos
de + o = do: o livro do aluno
de + a = da: a bolsa da professora
em + o = no: moro no Brasil
em + a = na: estou na escola
a + o = ao: vou ao mercado
a + a = à: vou à farmácia
por + o = pelo: caminho pelo parque
por + a = pela: entro pela porta
Com artigos indefinidos
em + um = num: moro num apartamento
em + uma = numa: trabalho numa escola
de + um = dum: preciso dum favor
de + uma = duma: falei duma viagem
Num e numa são muito comuns no Brasil. Dum e duma são corretos, mas muitos brasileiros preferem de um e de uma.
Na fala cotidiana
Você ouvirá pro e pra: Vou pro trabalho e Vou pra escola. São reduções comuns de para o e para a. Em textos formais, prefira as formas completas.
Compare e perceba a diferença
Quero café. Café em geral.
Quero o café. Um café específico.Ela é médica. Profissão.
Ela é a médica do hospital. Identificação específica.Procuro apartamento. Necessidade geral.
Procuro um apartamento. Um imóvel ainda não escolhido.
Procuro o apartamento 302. Um imóvel específico.Gosto de música. Música em geral.
Gosto da música que está tocando. Música identificada.
Leitura para praticar
Leia em silêncio. Depois, ouça e repita em blocos.
Hoje, uma cliente entrou na loja procurando uma mochila. A vendedora mostrou três modelos. A cliente escolheu a mochila azul porque o tamanho era ideal. Depois, ela perguntou o preço e pagou com o cartão. As duas se despediram com um sorriso.
uma cliente, uma mochila: primeira menção.
a vendedora, a cliente, a mochila: referências identificadas.
o tamanho, o preço: elementos específicos da compra.
um sorriso: nova informação.
Erros comuns de hispanofalantes
Omitir o artigo em o Brasil e o Peru.
Usar artigo ao informar apenas a profissão. Prefira sou professor.
Evitar contrações. Na fala natural, usamos do, da, no, na, ao, à.
Traduzir lo sempre como o. A tradução depende da construção.
Achar que o artigo antes de nomes e possessivos é sempre obrigatório. No Brasil, há variação.
Como escolher rapidamente
É específico ou conhecido? Considere o, a, os, as.
É uma primeira menção ou algo não identificado? Considere um, uma, uns, umas.
É profissão, idioma ou ideia geral? Verifique se fica mais natural sem artigo.
Há uma preposição? Faça a contração adequada.
É nome próprio, possessivo ou lugar? Lembre que o uso pode variar.
Tabela de decisão: artigo definido, indefinido ou ausência de artigo?
| Escolha | Quando usar | Exemplo | Efeito de sentido |
|---|---|---|---|
| um, uma, uns, umas | Primeira menção ou referente não identificado | Vi um cachorro na rua. | Um entre vários possíveis. |
| o, a, os, as | Referente conhecido ou especificado | O cachorro parecia cansado. | O cachorro já mencionado. |
| Sem artigo | Profissão e idioma em sentido geral, entre outros usos | Ela é médica. Eu falo português. | Informação geral, sem identificar um caso específico. |
| Com artigo e complemento | Profissão ou idioma especificado | Ela é a médica que me atendeu. | Identifica qual pessoa ou qual variedade. |
Compare o contexto: em português e espanhol, a presença do artigo pode mudar. Decida primeiro se o referente é geral, novo ou já conhecido na conversa.
Resumo
Definidos apresentam referências conhecidas ou específicas.
Indefinidos apresentam referências novas ou não identificadas.
O artigo concorda com o substantivo.
Profissões, idiomas e ideias gerais frequentemente aparecem sem artigo.
Nomes e possessivos apresentam variação no Brasil.
As contrações fazem parte do português natural.
Português e espanhol não usam artigos exatamente da mesma forma.
Agora teste seus conhecimentos no exercício abaixo.